Participante do Survivor Grécia processa produção após perder a perna
Stavros Floros, de 22 anos, entrou com ação de US$ 100 milhões contra a Acun Medya e o canal Skai TV depois de ter a perna atingida pela hélice de um barco durante gravações na República Dominicana
Bianca Ferrazdo CityTudo4 de setembro de 2026 · 6 min de leitura

Um ex-participante do “Survivor Grécia” decidiu levar a produção do reality à Justiça depois de perder a perna, acima do joelho, em um acidente ocorrido durante as gravações do programa na República Dominicana. Segundo apurou o site OFuxico, com informações da revista Us Weekly, Stavros Floros, de 22 anos, entrou com um processo de US$ 100 milhões (cerca de R$ 510 milhões) contra a produtora responsável pelo formato e contra a emissora que exibia a atração na Grécia.
O acidente que mudou tudo
De acordo com os autos do processo, o acidente aconteceu em 11 de maio de 2026, quando Floros pescava com arpão em mar aberto, como parte de uma prova de sobrevivência do programa. Nesse momento, a hélice de um barco turístico, que levava cerca de 20 passageiros, atingiu a perna dele em uma área que, segundo a ação, era densamente frequentada por embarcações turísticas. Reportagem do TMZ sobre o caso traz um detalhe adicional: o também competidor Emmanouil Malliaros teria percebido o barco se aproximando e gritado um aviso para que Floros saísse do caminho, mas não haveria tempo suficiente para evitar o impacto.
Por causa desse cenário, os advogados do ex-participante questionam o protocolo de segurança da produção. Conforme o processo, Floros não avistou nenhuma sinalização de advertência na região, tampouco barcos salva-vidas ou zonas protegidas destinadas aos competidores durante a prova.
A corrida para salvar a vida do competidor
Ainda segundo o processo, Floros só sobreviveu porque um desconhecido a bordo da própria embarcação turística aplicou um torniquete em sua perna logo após o impacto, estancando o sangramento até a chegada de socorro especializado. Em seguida, a equipe médica transferiu o competidor para um hospital em Miami, nos Estados Unidos, onde ele passou por múltiplas cirurgias ao longo de uma internação de 61 dias, que terminou com a amputação da perna esquerda acima do joelho.
O que dizem os advogados de Floros
Jason Margulies, do escritório de advocacia Lipcon, Margulies & Winkleman, representa o ex-participante e afirmou à Us Weekly que o caso vai além da lesão sofrida pelo cliente. “Este é um caso gravíssimo em que um influenciador jovem e bem-sucedido sofreu lesões permanentes catastróficas como resultado do descaso insensível com a segurança por parte de uma grande produtora multinacional encarregada de produzir o programa Survivor”, disse o advogado, de acordo com a apuração do OFuxico.
Margulies acrescentou que casos como esse têm se tornado mais frequentes: “Vemos eventos devastadores como este com cada vez mais frequência. Quando grandes empresas tomam atalhos e economizam em segurança para maximizar os lucros, isso geralmente acontece às custas da segurança pública, o que é absolutamente inaceitável”. Segundo o advogado, o objetivo da ação é também responsabilizar financeiramente a produtora: “Esperamos usar toda a nossa experiência e recursos para responsabilizar os produtores de Survivor Greece em Miami, Flórida, pelos eventos evitáveis que deixaram nosso cliente de 22 anos com deficiência catastrófica e desfigurada”.
O processo nomeia como réus as produtoras Acun Medya, Acun Medya Global e Acun LLC, além do empresário turco Acun Ilicali, dono do formato, e do canal grego Skai TV, responsável pela exibição do “Survivor Grécia” no país. A emissora já suspendeu a exibição do programa até a conclusão das investigações internas sobre o acidente. O processo, segundo a cobertura do TMZ, ainda alega que a produção teria tentado minimizar a divulgação do ocorrido para reduzir sua exposição a responsabilização.
A versão da produtora
Do outro lado, um porta-voz da AcunMedya deu a sua versão ao jornal canadense Toronto Sun, atribuindo o acidente ao fato de Floros estar mergulhando sem uma boia de sinalização de superfície em uma área frequentada por embarcações turísticas. Em nota, reproduzida pelo OFuxico, a produtora afirmou: “Após nosso anúncio inicial sobre o grave acidente envolvendo um participante do Survivor na República Dominicana, e por um senso de responsabilidade para com o público e, sobretudo, para com o próprio participante, consideramos necessário esclarecer as circunstâncias exatas em que o incidente ocorreu”.
A nota prosseguiu com mais detalhes sobre o momento do acidente: “De acordo com as informações disponíveis até o momento, o acidente parece ter ocorrido quando um barco turístico feriu o participante enquanto ele praticava pesca submarina fora do contexto competitivo do reality show”. A produtora ainda garantiu ter prestado assistência imediata ao competidor ferido, e à época do acidente informou que ele permanecia “hospitalizado em estado grave, porém estável”.
Recuperação e apoio nas redes sociais
Enquanto o processo avança na Justiça americana, Floros vem documentando cada etapa da recuperação em seu perfil no Instagram. Logo após o acidente, em maio, ele classificou a própria sobrevivência como “um milagre”. Já em 16 de junho, um mês depois do ocorrido, escreveu aos seguidores: “Já faz um mês desde que tudo mudou. Na semana mais difícil e dolorosa da minha recuperação, meus apoios foram: Deus, a Virgem Maria, minha família e, claro, vocês”. Na sequência, ele agradeceu diretamente ao público que o acompanha desde então.
Em comunicado enviado à Us Weekly, o ex-participante também fez questão de expor sua versão dos fatos: “Quero que o mundo saiba a verdade: que participei de um reality show e terminei com apenas uma perna aos 22 anos, sentindo como se estivesse morrendo lentamente”. Ele acrescentou esperar que o caso “inspire pessoas que estejam passando por qualquer tipo de dificuldade” e sirva de “exemplo para que os produtores de conceitos similares realmente cuidem das pessoas sob sua responsabilidade”.
Não é um caso isolado no mundo dos realities
O processo de Floros reacende um debate recorrente sobre a segurança em provas de sobrevivência gravadas em locações remotas, muitas vezes sem a fiscalização rígida que existe em sets de estúdio. Casos parecidos têm se multiplicado no entretenimento internacional: o próprio OFuxico noticiou recentemente o caso de uma acrobata do Cirque du Soleil que processa a companhia em R$ 84 milhões após sofrer lesões graves durante uma apresentação, alegando falhas semelhantes de protocolo de segurança. Especialistas em direito do entretenimento apontam que a judicialização desse tipo de acidente tende a crescer à medida que reality shows de sobrevivência buscam cenários cada vez mais extremos para manter a audiência.
O que vem a seguir
Por enquanto, o “Survivor Grécia” segue fora do ar no país, enquanto Skai TV e a produtora concluem a apuração interna sobre as circunstâncias do acidente. O processo de Floros corre na Justiça de Miami, na Flórida, onde fica a sede das operações americanas da Acun Medya, e ainda não tem data prevista para julgamento. A defesa da produtora não se manifestou publicamente sobre o valor pedido pelo ex-participante, e o desfecho do caso deve levar meses até uma decisão de mérito, dado o porte das empresas envolvidas e a complexidade da disputa, que reúne acusações de negligência em pelo menos dois países diferentes.


