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Por que MC Poze do Rodo foi preso: as duas prisões do funkeiro em 2025 e 2026

Funkeiro foi detido em 2025 por suspeita de apologia ao crime e, um ano depois, voltou a ser preso na Operação Narcofluxo, da Polícia Federal, por suspeita de lavagem de dinheiro bilionária

Bianca FerrazBianca Ferrazdo CityTudo

1 de maio de 2025 · Atualizado em · 3 min de leitura

MC Poze do Rodo se apresentando em show (Foto: Wikimedia Commons, CC BY 3.0)

Marlon Brendon Coelho Couto Silva, o MC Poze do Rodo, foi preso duas vezes em pouco mais de um ano: primeiro em maio de 2025, sob suspeita de apologia ao crime, e depois em abril de 2026, na Operação Narcofluxo da Polícia Federal, suspeito de integrar um esquema bilionário de lavagem de dinheiro. As duas prisões, por motivos completamente diferentes, colocaram o funkeiro de 27 anos no centro de dois dos maiores debates jurídicos envolvendo artistas do funk carioca nos últimos anos.

A primeira prisão, em 2025: apologia ao crime

Em maio de 2025, o funkeiro foi preso em sua casa sob suspeita de apologia ao crime e de envolvimento com o Comando Vermelho (CV). A Polícia Civil investigava shows do cantor realizados em áreas controladas pela facção, além de letras de música que, segundo a investigação, exaltariam o uso de armas e a organização criminosa.

O cantor foi enquadrado como suspeito de apologia ao tráfico, previsto no artigo 287 do Código Penal, e de envolvimento com facção criminosa, conforme o artigo 1º, parágrafo 1º, da Lei 12.850/2013, que trata de organização criminosa. Poze foi solto cinco dias depois, quando o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro concedeu um habeas corpus. O caso alimentou uma discussão pública sobre a relação entre o funk carioca, a criminalidade urbana e os limites da liberdade de expressão artística, recorrente sempre que um artista do gênero é investigado por supostos vínculos com facções.

A segunda prisão, em 2026: a Operação Narcofluxo

Quase um ano depois, em 15 de abril de 2026, a Polícia Federal prendeu Poze novamente, dessa vez em um condomínio no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro, durante a Operação Narcofluxo. A operação mirava uma organização criminosa suspeita de movimentar mais de R$ 1,6 bilhão por meio de apostas ilegais, rifas clandestinas, empresas de fachada e criptoativos, usados para ocultar a origem dos recursos e realizar transações internacionais.

Além de Poze, a Justiça Federal decretou a prisão preventiva de outros envolvidos no esquema, incluindo o cantor MC Ryan SP e o influenciador Rafael Souza Oliveira, apontados pela investigação como participantes do mesmo grupo de lavagem de dinheiro.

O que aconteceu na audiência de custódia

Dois dias após a prisão, em 17 de abril de 2026, Poze passou por audiência de custódia virtual e teve a prisão preventiva mantida pela Justiça Federal de São Paulo. Segundo a defesa do cantor, ele permaneceu em silêncio durante o depoimento e, até aquele momento, ainda não tinha acesso completo ao conteúdo da investigação, o que é comum em fases iniciais de operações desse tipo, quando parte do material segue sob sigilo judicial.

Dois casos, dois tipos de acusação

As duas prisões de Poze não têm relação direta entre si: a de 2025 girava em torno do conteúdo artístico do funkeiro e de sua ligação com áreas de facção onde se apresentava, enquanto a de 2026 é sobre suspeita de crime financeiro organizado, num esquema que a Polícia Federal descreve como estruturado e de grande escala. Juntas, no entanto, as duas investigações mantêm o cantor como uma figura recorrente nas páginas policiais mesmo em meio a uma carreira musical ativa, e reforçam o escrutínio que artistas do funk ostentação seguem enfrentando por parte da Justiça brasileira.

Fontes

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