Quem é Felca, o youtuber que denunciou a adultização de crianças nas redes
O vídeo do influenciador levou o Senado a propor uma CPI sobre exploração infantil nas redes sociais
Bianca Ferrazdo CityTudo12 de agosto de 2025 · 2 min de leitura

Felca é o nome artístico de Felipe Bressanim Pereira, youtuber brasileiro que em agosto de 2025 publicou um documentário denunciando a “adultização” e a sexualização de crianças e adolescentes nas redes sociais. O vídeo viralizou e levou senadores a formalizar um pedido de CPI para investigar influenciadores e plataformas digitais envolvidos no problema.
Quem é Felca
Nascido em 25 de julho de 1998, em Londrina, no Paraná, Felca começou na internet em 2012 como streamer de videogames. Pouco depois, passou a publicar vídeos de opinião sobre acontecimentos do momento, misturando humor ácido com crítica social, o que ajudou a atrair um público fiel. Hoje soma mais de 27 milhões de seguidores somando os três canais no YouTube e o Instagram, sem contar o TikTok, e vive em São Paulo.
Antes da repercussão do documentário sobre adultização infantil, Felca já era conhecido por vídeos de humor e reação, como a sátira “Testei a base da Virgínia”, que passou de 19 milhões de visualizações.
O documentário que gerou a CPI
Em agosto de 2025, Felca publicou um vídeo de cerca de 50 minutos expondo casos de exploração e sexualização de crianças e adolescentes por parte de influenciadores digitais, que lucram com esse tipo de conteúdo. Um dos nomes citados no vídeo foi o do influenciador Hytalo Santos, que acabou preso em 15 de agosto de 2025, em Carapicuíba (SP), sob acusações de exploração sexual infantil e tráfico de pessoas.
A resposta do Senado
Depois da repercussão do vídeo, 60 senadores assinaram um requerimento formal para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito voltada a investigar a exploração infantil nas redes sociais. Segundo parlamentares que discutiram o tema, famílias em situação de vulnerabilidade têm emancipado filhos menores de idade para permitir que participem da produção de conteúdo digital, sob promessa de retorno financeiro.
Por que o caso ganhou tanta força
O vídeo de Felca tocou em um ponto sensível: crianças expostas em conteúdo voltado para adultos, monetizado por seus próprios responsáveis ou por terceiros, num ambiente digital onde a fiscalização é frágil. Ao unir seu alcance como criador de conteúdo a uma denúncia bem documentada, Felca conseguiu transformar um problema já conhecido por especialistas em pauta nacional, com resposta direta do Congresso.
O que muda a partir de agora
Com a CPI proposta no Senado, a expectativa é que plataformas como YouTube, Instagram e TikTok sejam chamadas a explicar como fiscalizam esse tipo de conteúdo e por que perfis com histórico de exposição de menores continuaram ativos por tanto tempo. Influenciadores citados no vídeo de Felca também devem ser convocados a depor, e o caso já reacendeu a discussão sobre regulamentação do trabalho infantil na internet, hoje sem legislação específica no Brasil.


