O que é o BRICS e o que aconteceu na cúpula sediada pelo Brasil em 2025
Rio de Janeiro recebeu líderes de 11 países-membros e dez nações parceiras em julho, sob presidência brasileira do grupo, num encontro seguido de tarifaço de Trump contra o Brasil
Marina Kesslerdo CityTudo7 de julho de 2025 · Atualizado em · 2 min de leitura

BRICS é um grupamento de onze países que funciona como foro de articulação político-diplomática e de cooperação entre nações do Sul Global. O nome original vinha das iniciais de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, mas o bloco já foi ampliado: hoje também integram o grupo Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã.
A cúpula no Brasil
Em 6 e 7 de julho de 2025, o Brasil sediou no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro a 17ª Cúpula do BRICS, reunindo chefes de Estado dos países-membros e de dez nações parceiras: Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda, Uzbequistão e Vietnã. O Brasil exerceu a presidência do grupo ao longo de todo o ano de 2025, sob o lema “Fortalecendo a Cooperação do Sul Global para uma Governança Mais Inclusiva e Sustentável”, com foco declarado em reforma da governança internacional, desenvolvimento sustentável e fortalecimento da cooperação entre países do Sul Global.
O que ficou definido
O encontro resultou na “Declaração do Rio”, documento no qual os países do BRICS defenderam uma ordem global mais justa. Segundo o Observatório de Política Externa e da Inserção Internacional do Brasil, a declaração final denunciou práticas que aprofundam desigualdades entre as nações, como sanções unilaterais e a concentração de poder do sistema financeiro global. Os membros também defenderam a causa palestina, discutiram a construção de uma alternativa ao sistema internacional de pagamentos SWIFT e o lançamento de uma iniciativa própria do bloco para regular internacionalmente a inteligência artificial.
O tarifaço de Trump logo depois
O desdobramento mais imediato da cúpula veio dos Estados Unidos. Ainda no primeiro dia do encontro, o presidente Donald Trump ameaçou taxar em 10% “qualquer país que se aliar às políticas antiamericanas do BRICS”, e, um dia após o fim da cúpula, formalizou uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras aos Estados Unidos. Para especialistas ouvidos pela Agência Brasil, o protagonismo do Brasil à frente do bloco naquele ano, somado à defesa pública do presidente Lula por mecanismos de pagamento internacionais alternativos ao dólar, pode ter influenciado a decisão do republicano. Uma pesquisa da AtlasIntel divulgada dias depois mostrou que 41% dos brasileiros enxergavam a tarifa como uma retaliação direta à cúpula do BRICS.


