PoderData: Flávio Bolsonaro ultrapassa Lula pela 1ª vez no 2º turno
Pesquisa PoderData/Aya mostra técnico empate de 45% a 44% a favor do senador, invertendo o resultado da rodada anterior, que apontava o presidente na frente
Marina Kesslerdo CityTudo3 de setembro de 2026 · 5 min de leitura

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela primeira vez em um cenário de segundo turno para a eleição presidencial de outubro. Segundo pesquisa PoderData/Aya divulgada nesta semana, Flávio tem 45% das intenções de voto contra 44% de Lula, com 8% de brancos e nulos e 3% de indecisos. A diferença de um ponto está dentro da margem de erro da pesquisa, o que caracteriza um empate técnico, mas o dado chama atenção justamente pela inversão de posições em relação ao levantamento anterior.
A virada em relação à rodada passada
O que torna esse número relevante não é apenas o empate técnico em si, mas o movimento entre as duas rodadas. Na pesquisa PoderData anterior, divulgada no fim de agosto, Lula aparecia com 45% contra 44% de Flávio Bolsonaro, exatamente os números invertidos em relação à nova rodada. Na prática, o presidente e o senador trocaram de posição na simulação de segundo turno em questão de dias, um sinal de que a corrida segue extremamente instável e sensível ao noticiário político do momento.
Esse tipo de oscilação, dentro da margem de erro, não significa necessariamente uma mudança real de opinião pública tão abrupta, mas mostra que o páreo entre os dois nomes mais bem posicionados da corrida presidencial segue tecnicamente empatado desde que a campanha eleitoral começou oficialmente, sem um favorito nítido no cenário de confronto direto.
Como fica o primeiro turno
O instituto também simulou o cenário de primeiro turno com todos os candidatos registrados. Lula lidera com 37% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro com 34%, enquanto o escritor Augusto Cury (Avante) surpreende ao aparecer em terceiro lugar isolado, com 10%. Atrás deles, a pesquisa registra Renan Santos (Missão) com 3%, Ronaldo Caiado (PSD) e Pablo Marçal (PRTB) empatados com 2% cada, e Romeu Zema (Novo) e Samara Martins (UP) com 1% cada. Os demais nomes, entre eles Kim Kataguiri (União), zeraram na rodada. Brancos, nulos e indecisos somam 7%.
A entrada de Augusto Cury como uma opção competitiva no primeiro turno é um dos fatores que ajuda a explicar por que a soma de Lula e Flávio no primeiro turno (71%) é sensivelmente menor que a soma dos dois no segundo turno simulado, quando o eleitorado deixa de ter uma terceira via moderada para escolher e se concentra nos dois polos.
Outros adversários testados no segundo turno
Além do confronto direto com Flávio Bolsonaro, o PoderData/Aya simulou outros três cenários de segundo turno para Lula: contra Romeu Zema, o presidente tem 44% a 42%; contra Ronaldo Caiado, também 44% a 42%; e contra Renan Santos, 44% a 39%. Em todos esses três cenários alternativos, Lula mantém uma vantagem numérica ligeiramente acima da margem de erro, ao contrário do que acontece no confronto direto com Flávio Bolsonaro, hoje o único adversário capaz de superar o presidente nas simulações do instituto.
Esse padrão se repete desde as primeiras pesquisas da campanha: nomes de centro-direita mais moderados, como Zema e Caiado, aparecem com rejeição mais baixa, mas também menos força eleitoral consolidada do que Flávio Bolsonaro, que carrega o capital político herdado do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje inelegível.
Como foi feita a pesquisa
O levantamento entrevistou 3.000 pessoas em 716 municípios dos 27 estados brasileiros entre os dias 30 de agosto e 2 de setembro de 2026, com margem de erro de 1,8 ponto percentual para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-07561/2026, e foi financiada com recursos próprios do instituto, sem contratação por partido, candidato ou terceiros, informação que costuma ser exigida em toda pesquisa eleitoral registrada, para deixar clara a ausência de financiamento por uma das partes interessadas no resultado.
O pano de fundo: Caso Master e crise institucional
A rodada foi feita em meio a desdobramentos do caso do Banco Master, com mensagens trocadas entre o empresário Daniel Vorcaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes voltando ao centro do noticiário político nos primeiros dias de setembro. O caso, que já resultou na prisão de Vorcaro pela Polícia Federal em novembro do ano passado, tem gerado desgaste tanto para o governo quanto para a imagem do STF, e integra o conjunto de fatores que analistas político têm associado à volatilidade das pesquisas nas últimas semanas, ao lado de temas como a economia, a segurança pública e o próprio desempenho dos candidatos nos primeiros dias de propaganda eleitoral obrigatória no rádio e na TV.
Quaest, divulgada no mesmo período, mostra retrato diferente
O contraste com outros institutos ajuda a entender por que a corrida ainda é lida como indefinida. Pesquisa Quaest divulgada nos mesmos dias, com trabalho de campo entre 30 de agosto e 1º de setembro e 2.004 entrevistados, também aponta um cenário apertado no segundo turno, mas com Lula na frente: 42% contra 41% de Flávio Bolsonaro, dentro da margem de erro de dois pontos. No primeiro turno, a mesma Quaest mede Lula com 37% e Flávio Bolsonaro com 29%, à frente de Augusto Cury, com 10%, números muito próximos aos do PoderData no primeiro turno, mas que se separam justamente na hora de simular o confronto direto do segundo turno.
Essa divergência entre institutos, medindo praticamente o mesmo período com metodologias diferentes, é o retrato mais fiel do momento da corrida presidencial: nenhuma pesquisa aponta uma vantagem sólida e consistente de um lado ou de outro fora da margem de erro no cenário de segundo turno, o que faz de cada nova rodada um evento acompanhado de perto por analistas e pelas próprias campanhas.
O que observar daqui para frente
Com o primeiro turno marcado para outubro, a expectativa é de que novas rodadas de pesquisa, de institutos como Quaest, Datafolha e Genial/Quaest, sejam divulgadas nas próximas semanas para confirmar ou não a tendência de aproximação entre Lula e Flávio Bolsonaro no cenário de segundo turno. Por ora, o principal recado das pesquisas recentes é que a disputa pelo Palácio do Planalto segue mais aberta do que parecia poucos meses atrás, com o resultado de outubro longe de estar decidido e o eleitorado ainda dividido entre os dois nomes que polarizam a corrida.


