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Golpes digitais ficam mais rápidos e personalizados com uso de IA

Golpes digitais avançam no Brasil com apoio de inteligência artificial; dados do Banco Central e de estudos internacionais mostram por que essas páginas são tão difíceis de bloquear

Felipe TanakaFelipe Tanakado CityTudo

17 de agosto de 2026 · 3 min de leitura

Ícone de segurança digital sobre tela de notebook

Com ferramentas de inteligência artificial amplamente disponíveis, criminosos digitais montam sites fraudulentos e campanhas de phishing em poucas horas, um processo que antes exigia bem mais tempo e conhecimento técnico. Dados vazados, como CPF, e-mail e histórico de compras, são usados para criar abordagens cada vez mais personalizadas, tornando os golpes mais convincentes e mais difíceis de identificar à primeira vista.

Golpes que somem rápido

Um dos motivos que tornam esse tipo de golpe tão difícil de conter é a curta vida útil das páginas fraudulentas. Um estudo apresentado na conferência acadêmica The Web Conference 2025, que analisou mais de 286 mil URLs de phishing ao longo de cinco meses, encontrou tempo médio de permanência no ar de cerca de 54 horas, com mediana de apenas 5,46 horas. O mesmo levantamento mostrou que o Google Safe Browsing, uma das ferramentas mais usadas para bloquear sites maliciosos, identifica apenas 18,4% desses endereços, e a maior parte das páginas já havia saído do ar antes mesmo de ser detectada. Essa janela curta dificulta o trabalho de ferramentas tradicionais de bloqueio, que costumam depender de listas atualizadas de domínios maliciosos já identificados, e ajuda a explicar por que tantas campanhas de phishing seguem funcionando mesmo com o avanço da tecnologia de defesa.

Pessoa trabalhando em computador no escritório Conscientização segue como principal defesa contra fraudes

O tamanho do problema no Brasil

O impacto financeiro desses golpes já é significativo e tende a crescer. Segundo o relatório Scamscope, da empresa de tecnologia de pagamentos ACI Worldwide, as perdas com fraudes via Pix no Brasil somaram R$ 2,12 bilhões em 2023 e devem chegar a R$ 11 bilhões em 2028, um crescimento estimado em 52,5% no período. O volume de transações ajuda a entender a escala do desafio: o Pix registrou quase 80 bilhões de transações em 2025, segundo relatório do Banco Central, o que torna o sistema um alvo constante para tentativas de fraude, mesmo com a infraestrutura central do Pix nunca tendo sofrido um ataque bem-sucedido até hoje. Em resposta, o próprio Banco Central passou a estudar um indicador de probabilidade de fraude calculado em tempo real para cada transação realizada no sistema.

Os golpes mais comuns

Entre os golpes mais comuns estão o phishing clássico, o falso suporte bancário, a clonagem de aplicativos de mensagem e promessas de investimentos com retorno rápido. Cada modalidade explora um tipo diferente de vulnerabilidade emocional da vítima, seja o medo de perder acesso a uma conta bancária, seja a expectativa de ganho financeiro fácil, o que torna a educação digital tão importante quanto as soluções puramente técnicas de segurança.

O papel da conscientização

Diante de páginas fraudulentas que somem do ar antes mesmo de serem catalogadas por sistemas de proteção, saber identificar sinais de fraude segue como a principal linha de defesa disponível para o usuário comum. Verificar remetentes, desconfiar de links recebidos por mensagem sem solicitação prévia e nunca informar senhas ou códigos de verificação por telefone seguem como as recomendações mais básicas e, ao mesmo tempo, mais eficazes contra a maioria dos golpes em circulação, mesmo com o avanço das técnicas usadas por criminosos. Bancos e instituições financeiras reforçam ainda que nunca pedem esse tipo de informação por telefone, mensagem ou e-mail, e que qualquer contato nesse sentido já deve ser tratado como suspeito.

Fontes

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