Sete em cada dez profissionais dizem que IA já os ajuda a produzir mais
Levantamento global da KPMG mostra adoção crescente de assistentes de IA generativa no trabalho no Brasil, mas ainda com desafios de confiança entre as empresas
Felipe Tanakado CityTudo17 de agosto de 2026 · 3 min de leitura

Pesquisas recentes mostram que o uso de inteligência artificial no trabalho já ajuda a maioria dos profissionais brasileiros a produzir mais. Segundo o estudo global “Confiança, Atitudes e Uso de Inteligência Artificial”, feito pela KPMG em parceria com a Universidade de Melbourne com quase 48 mil pessoas em 47 países, 71% dos entrevistados no Brasil notaram aumento de eficiência, qualidade do trabalho e potencial de inovação depois de passar a usar IA no dia a dia, e 86% afirmam que suas empresas já utilizam a tecnologia de alguma forma, patamar acima da média global da pesquisa.
Adoção ainda desigual
Apesar do avanço na adoção, o mesmo levantamento mostra que a confiança segue sendo o principal entrave: apenas 55% dos brasileiros entrevistados dizem estar dispostos a confiar em decisões tomadas por inteligência artificial, percentual bem menor do que o de quem já usa a tecnologia no trabalho. Cerca de 67% das empresas brasileiras oferecem treinamento sobre uso responsável da IA aos funcionários, e 68% afirmam ter políticas claras sobre o tema, o que sugere que boa parte da adoção ainda depende de orientação formal dada pelas próprias empresas, e não apenas de iniciativa individual de quem já domina as ferramentas. Ainda segundo a KPMG, 55% dos brasileiros entrevistados afirmam que o uso de IA já ajudou a aumentar a receita da empresa em que trabalham.
Adoção da tecnologia ainda é desigual entre as empresas
O fosso entre grandes e pequenas empresas
Se de um lado a adoção de IA já é ampla no Brasil, de outro ela ainda tende a ser mais forte em empresas de grande porte, com estrutura para treinar equipes inteiras e integrar as ferramentas aos processos internos de forma organizada. Negócios menores, sem área de tecnologia dedicada, seguem dependendo mais da iniciativa individual de funcionários para incorporar a IA à rotina de trabalho, o que tende a ampliar a diferença de produtividade entre portes de empresa nos próximos anos, especialmente enquanto o treinamento formal continuar concentrado nas companhias com mais recursos.
O que os números dizem sobre o impacto nos empregos
Um estudo da consultoria LCA 4intelligence, baseado em metodologia da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e citado pelo Brasil AgroNews, estima que a IA generativa deve impactar cerca de 31,3 milhões de postos de trabalho no país, afetando ao menos 13 ocupações profissionais diferentes. O efeito predominante identificado pelo estudo é de transformação das tarefas dentro de cada função, e não necessariamente de eliminação direta de empregos. O mesmo levantamento aponta que quase 60% dos trabalhadores com 50 anos ou mais tendem a ficar menos expostos à automação no curto prazo, padrão explicado pelo fato de profissionais mais experientes costumarem ocupar posições de gestão e relacionamento, menos rotineiras e mais difíceis de automatizar por completo.
O que muda na rotina de trabalho
Entre os profissionais que já incorporaram assistentes de IA generativa à rotina, tarefas como redação de e-mails, resumo de documentos longos e primeira versão de apresentações aparecem entre os usos mais comuns no dia a dia de escritório, liberando tempo para atividades que exigem julgamento humano mais especializado, como negociação, tomada de decisão estratégica e relacionamento direto com clientes. É justamente nesse ponto, o de transferir tarefas repetitivas para a máquina sem perder qualidade no resultado final, que a maioria dos ganhos de produtividade relatados pelos brasileiros parece se concentrar, segundo os próprios dados da pesquisa da KPMG.


