Preço médio da passagem aérea doméstica sobe 11% em um ano e chega a R$ 632
Alta no querosene de aviação pressiona as tarifas, mas o número de passageiros também cresceu, segundo dados oficiais
Rafael Monteirodo CityTudo17 de agosto de 2026 · 2 min de leitura

A tarifa média das passagens aéreas domésticas chegou a R$ 632,53 em maio, alta de 11% em relação ao mesmo período do ano anterior. O principal motor da alta foi o preço do querosene de aviação (QAV), que responde por cerca de 46% dos custos operacionais das companhias e que quase dobrou entre fevereiro e maio deste ano, um movimento que pegou o setor de surpresa e obrigou as companhias a repassar parte do custo extra para o preço final do bilhete.
Por que o querosene subiu tanto
O QAV é precificado com forte influência da cotação internacional do petróleo e do câmbio, já que boa parte do combustível usado no Brasil é importada ou tem preço atrelado ao mercado externo. A escalada entre fevereiro e maio refletiu tanto a alta do barril no mercado internacional quanto a desvalorização pontual do real no período, uma combinação que historicamente aperta a margem das companhias aéreas brasileiras.
Mais gente voando, mesmo com preço maior
Apesar da alta nas tarifas, o transporte aéreo doméstico não perdeu passageiros: em maio, as companhias transportaram 8,319 milhões de pessoas em voos dentro do país, crescimento de 1,9% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Latam e Gol foram as que mais ampliaram o número de passageiros no período, ao lado da Azul, que completa o trio de companhias que domina o mercado nacional.
O crescimento na demanda, mesmo com o preço mais alto, é visto por analistas do setor como um sinal de que a renda disponível das famílias brasileiras para viagens aéreas segue relativamente resiliente, ainda que o público mais sensível a preço tenda a migrar para datas fora de temporada ou para malhas com mais escalas em busca de tarifas menores.
Alta reflete o custo do querosene de aviação
O que o governo diz
Segundo a Anac, medidas recentes já ajudaram a conter uma alta ainda maior nas tarifas. O órgão regulador tem acompanhado de perto a variação do preço do combustível de aviação, apontado como o fator determinante por trás do movimento, e sinaliza que segue monitorando o repasse de custos pelas companhias para evitar distorções bruscas de preço em rotas com pouca concorrência.
O que esperar pela frente
Para o consumidor, a recomendação de especialistas em viagens segue sendo a mesma de sempre em cenários de alta: antecedência na compra, flexibilidade de datas e atenção a promoções pontuais das companhias, que costumam usar períodos de menor demanda para equilibrar a ocupação das aeronaves mesmo com o custo de combustível pressionado.


