Por que o café está tão caro: a pergunta mais feita no Google em 2025
Quebras de safra no Brasil e no Vietnã, estoques mundiais baixos e câmbio desfavorável levaram os preços do café a bater recordes históricos
Helena Krugdo CityTudo6 de fevereiro de 2025 · 3 min de leitura

Segundo o Google, “por que o café está caro” foi uma das perguntas mais feitas por brasileiros em buscas na internet em 2025. A resposta combina fatores climáticos, uma oferta mundial historicamente apertada e o câmbio.
Clima ruim nos dois maiores produtores
Brasil e Vietnã, os dois maiores produtores de café do mundo, enfrentaram fenômenos climáticos extremos que prejudicaram as safras. O Brasil teve secas e ondas de calor em 2024, o que comprometeu a safra 2024/25: segundo a primeira estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra 2025, divulgada em janeiro daquele ano, a produção brasileira foi projetada em 51,8 milhões de sacas de 60 kg, uma redução de 4,4% em relação à safra anterior. No Vietnã, maior produtor mundial de café robusta, a combinação de clima seco no início do ano e chuvas na segunda metade atrasou a colheita e reduziu a oferta disponível para exportação: segundo a Vicofa (associação vietnamita de café e cacau), citada em reportagem da CNN Brasil, as exportações vietnamitas de café fecharam 2024 com queda de 17,2% em volume na comparação com o ano anterior, mesmo com a receita total em dólares subindo, puxada pelos preços mais altos.
Estoques baixos, demanda em alta
Os estoques globais de café operam em um dos níveis mais baixos da década, reflexo de anos seguidos de safras aquém do esperado entre os principais produtores. Ao mesmo tempo, o consumo do produto segue crescendo em diversos países, inclusive em mercados tradicionalmente exportadores que passaram a consumir mais internamente, pressionando ainda mais os preços disponíveis para exportação. No caso do Brasil, o país segue sendo ao mesmo tempo o maior produtor e um dos maiores consumidores mundiais de café, o que faz com que a safra doméstica influencie diretamente tanto o preço pago lá fora quanto o valor do produto nas prateleiras dos supermercados brasileiros.
O tamanho da alta
Os contratos futuros de café arábica negociados na bolsa de Nova York (ICE) bateram recorde histórico de US$ 3,4835 por libra-peso em 10 de dezembro de 2024, segundo noticiado pela Investing.com Brasil, o maior valor nominal da série desde que o contrato existe. O movimento de alta continuou no início de 2025: em 7 de fevereiro, os preços chegaram a US$ 4,1395 por libra-peso, conforme registrou a CNN Brasil, o 12º recorde consecutivo em poucas semanas de pregão. No mercado interno, o indicador do Cepea/Esalq para o café arábica tipo 6 chegou a R$ 2.769,45 a saca de 60 kg em 12 de fevereiro de 2025, o maior valor real da série histórica da instituição, iniciada em 1996. A desvalorização do real frente ao dólar no período também contribuiu para pressionar o preço final pago pelo consumidor brasileiro, já que boa parte da referência de preço do café negociado no país acompanha as cotações internacionais em dólar.
O que pode mudar o cenário
Analistas do mercado de commodities apontam que uma eventual recuperação das safras brasileira e vietnamita, somada a uma reposição gradual dos estoques mundiais, é o caminho mais provável para uma normalização dos preços, mas esse processo tende a ser lento, já que o cafeeiro leva anos entre o plantio e a produção em escala comercial. Até lá, o mercado deve continuar reagindo fortemente a qualquer notícia sobre condições climáticas nas regiões produtoras, o que ajuda a explicar por que o preço do café voltou a ser um assunto tão presente no dia a dia, e nas buscas, dos brasileiros.

